As escrituras dizem com freqüência que chegará o dia em que nos colocaremos perante Deus e seremos julgados. Precisamos entender como ocorrerá o julgamento, a fim de nos prepararmos melhor para esse importante acontecimento.

As escrituras ensinam que todos nós seremos julgados de acordo com nossas obras. "E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." (Apocalipse 20:12; ver também D&C 76:111; 1 Néfi 15:32; Abraão 3:25-28.)

Nesta escritura, João, o Revelador, está-se referindo ao Julgamento Final. Esse julgamento é o último de uma longa série de julgamentos. Na vida pré-mortal, a todos os espíritos considerados dignos foi permitido receber um corpo e vir à Terra. Aqui, somos freqüentemente julgados quanto a nossa dignidade para receber oportunidades dentro do reino de Deus. Ao sermos batizados, somos julgados dignos de receber essa ordenança. Quando somos chamados para servir na Igreja, ou entrevistados para um avanço no sacerdócio, ou para receber uma recomendação para entrar no templo, estamos sendo julgados.

Alma ensinou que quando morremos, nosso espírito é designado para um estado de felicidade ou miséria (ver Alma 40:11-15). Esse é um julgamento parcial.

O profeta Alma testificou: "(...) Nossas palavras nos condenarão, sim, todas as nossas obras nos condenarão (...) e nossos pensa-mentos também nos condenarão" (Alma 12:14).

O Senhor disse: "Toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado." (Mateus 12:36-37.)

Somente pela fé em Jesus Cristo podemos nos preparar para o Julgamento Final. Se formos discípulos fiéis de Cristo e nos arrependermos de todos os nossos pecados, podemos ser perdoados e nos tornar puros e santos a fim de habitar na presença de Deus. Ao nos arrependermos de nossos pecados, abandonando todos os pensamentos e ações impuros, o Espírito Santo mudará nosso coração de modo que não teremos nem mesmo o desejo de pecar. Depois, quando formos julgados, estaremos prontos para entrar na presença de Deus.

O Profeta Joseph Smith disse que os mortos serão julgados pelos registros mantidos na Terra. Seremos também julgados pelo "livro da vida" que é mantido nos céus (ver D&C 128:6-8).

"Nós seremos julgados conforme o que está escrito nos livros, conforme as revelações de Deus, os registros dos templos e as coisas que o Senhor nos ordenou manter (...) Haverá o registro dos céus que é um registro perfeito." (Joseph Fielding Smith, Doutrinas de Salvação, 2:199)

Existe um outro registro que será usado para nos julgar. O Apóstolo Paulo disse que o próprio homem é o mais completo registro de sua vida (ver Romanos 2:15; II Coríntios 3:1-3). A história completa de tudo o que fizemos está armazenada em nosso corpo e mente. O Presidente John Taylor ensinou esta verdade: "[O indivíduo] narra sua própria história e presta testemunho contra si mesmo (...) Nesse registro escrito pelo homem nas placas de sua própria mente-registro esse que não pode mentir-será um dia aberto perante Deus e os anjos e aqueles que se sentarem como juízes". [Daniel H. Ludlow, ed., Latter-day Prophets Speak (Profetas dos Últimos Dias Falam), pp. 56-57]

O Apóstolo João ensinou: "O Pai ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo." (João 5:22) O Filho, por sua vez, pedirá a outros que O ajudem no Julgamento. Os Doze que estavam com Ele em Seu ministério julgarão as doze tribos de Israel (ver Mateus 19:28; Lucas 22:30.) Os Doze nefitas julgarão os nefitas e os lamanitas (ver 1 Néfi 12:9-10; Mórmon 3:18-19). O Presidente John Taylor disse que a Primeira Presidência e os Doze Após-tolos em nossa própria dispensação também nos julgarão [ver The Mediation and Atonement (A Intermediação e a Expiação), p. 157].

No Julgamento Final, ser-nos-á designado o reino para o qual nos preparamos. Seremos mandados para um dos quatro lugares a seguir: o reino celestial (o mais alto grau de glória), o reino terrestre (o grau intermediário), o teleste (o mais baixo grau de glória) ou as trevas exteriores (o reino do demônio-que não é um grau de glória).

Em Doutrina e Convênios 76, o Senhor descreveu de que forma podemos escolher viver na mortalidade e explicou que nossas escolhas determinarão para qual dos quatro reinos estaremos preparados. Aprendemos por essa revelação que até mesmo os membros da Igreja herdarão diferentes reinos, pois não serão igualmente fiéis e valentes na obediência a Cristo.

Na descrição seguinte, relacionam-se os diferentes tipos de vida que podemos decidir ter e os reinos que herdaremos como resultado de nossas escolhas.

"Esses são os que receberam o testemunho de Jesus, e creram em seu nome e foram batizados (...) que, guardando os mandamentos, (puderam) ser lavados e purificados de todos os seus pecados e (receberam) o Santo Espírito." Estes são aqueles que sobrepujaram o mundo pela fé. São os justos e puros aos quais o Espírito Santo pode selar com suas bênçãos. (Ver D&C 76:51-53.) Os que herdarem o grau mais alto do reino celestial, e que se tornarem deuses, deverão ser também casados para a eternidade no templo (ver D&C 131:1-4). Todos os que herdarem o reino celestial viverão com o Pai Celestial e Jesus Cristo para sempre (ver D&C 76:62).

São aqueles que rejeitaram o evangelho na Terra, mas que o receberam depois no mundo espiritual. Eram pessoas honradas na Terra, mas foram cegadas para o evangelho de Jesus Cristo pelas artimanhas dos homens. São também aqueles que receberam o evangelho e um testemunho de Jesus, mas que depois não foram valentes. Eles serão visitados por Jesus Cristo, mas não pelo Pai Celestial (ver D&C 76:73-79). Não serão parte de uma família eterna; viverão separadamente e como solteiros para sempre (ver D&C 131:1-4).

Estes não receberam o evangelho nem o testemunho de Jesus Cristo na Terra nem no mundo espiritual. Eles sofrerão por seus pecados no inferno até depois do Milênio, quando ressuscitarão. "Estes são os mentirosos, feiticeiros, adúlteros e libertinos, e todo aquele que ama e inventa mentiras". Essas pessoas são tão numerosas quanto as estrelas do céu e as areias da praia. Serão visitadas pelo Espírito Santo, mas não pelo Pai nem pelo Filho. (Ver D&C 76:81-86, 103-6.)

São aqueles que ganharam testemunho de Jesus por intermédio do Espírito Santo e conheceram o poder do Senhor, mas deixaram que Satanás se apossasse deles. Negaram a verdade e desafiaram o poder de Deus. Não há perdão para eles, pois negaram o Espírito Santo após recebê-lo. Não terão um reino de glória, mas viverão em trevas, tormento e miséria com Satanás e seus anjos para sempre. (Ver D&C 76:28-35; 44-48.)

Na realidade, todo dia é um dia de julgamento. Falamos, pensamos e agimos de acordo com uma lei celeste, terrestre ou teleste. Nossa fé em Jesus Cristo, evidenciada por nossas ações diárias, determina que reino herdaremos.

Temos o evangelho restaurado de Jesus Cristo em sua plenitude. O evangelho é a lei do reino celestial. Todas as ordenanças do sacerdócio necessárias para o nosso progresso já foram reveladas. Entramos nas águas do batismo e fizemos convênio de viver como Cristo. Se formos fiéis e guardarmos os convênios que fizemos, o Senhor nos disse qual será o nosso julgamento e nos dirá: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." (Mateus 25:34)

• D&C 88:98-102 (o soar das trombetas do julgamento)

• Alma 11:41, 45; Mórmon 7:6; 9:13-14 (somos julgados num estado ressurreto)

• 2 Néfi 29:11; 3 Néfi 27:23-26 (livros usados no Julgamento)

• Alma 41:2-7 (nosso julgamento é determinado por nossas obras, desejos do coração, arrependimento e

   perseverança)

• Mórmon 3:22 (arrepender-se e preparar-se para se colocar diante do trono do julgamento)

• Lucas 12:47-48; D&C 82:3 (a quem muito for dado, muito será requerido)

• D&C 88:16-33 (cada um receberá o que merece)

 

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