Entre as doutrinas ensinadas no antigo registro,
achava-se a do batismo para a remissão dos pecados. Joseph Smith jamais havia
sido batizado, pois não se tornara membro de nenhuma igreja. Quando ele e
Oliver Cowdery discutiram o assunto, resolveu consultar o Senhor quanto a
ordenança.
Afastaram-se para a calma do bosque, as margens do
rio Susquehanna. Foi no dia 15 de maio de 1829. Enquanto estavam entregues a
oração, apareceu uma luz acima deles e desceu um mensageiro celestial.
Anunciou-se como João, conhecido nas escrituras como João Batista.
O mensageiro disse ter vindo sob a autoridade de
Pedro, Tiago e João, apóstolos do Senhor, que tinham as chaves do Sacerdócio,
e que havia sido enviado para conceder-lhes o sacerdócio de Aarão, com
autoridade para administrar nos assuntos temporais do evangelho. Colocou,
então, as mãos sobre suas cabeças e os ordenou, dizendo: "A vós, meus
conserves, em nome do Messias, eu confiro o sacerdócio de Aarão, que possui as
chaves da ministração dos anjos, do evangelho do arrependimento e do batismo
por imersão para remissão dos pecados..."(1)
Disse-lhes, a seguir, que com a autoridade do
sacerdócio então recebida, deveriam batizar um ao outro por imersão.
Primeiramente, Joseph batizou Oliver no rio que ficava próximo, e Oliver,
então, batizou Joseph. Mais uma vez os homens batizaram-se com a devida
autoridade, e da mesma forma como quando Jesus havia ido com João ao rio
Jordão, "para cumprir toda justiça".(2)
Pouco tempo depois, verificou-se outro grande
acontecimento, e ainda mais significativo. Teve lugar no "ermo entre
Harmony, no condado de Susquehanna, Pensilvânia, e Colesville, condado de
Broome, Nova York, no rio Susquehanna". Os antigos apóstolos Pedro, Tiago
e João apareceram e conferiram a Joseph Smith e a Oliver Cowdery os poderes
mais altos do sacerdócio, e os ordenaram "apóstolos e testemunhas
especiais" de Cristo. Com esta ordenação, foi restaurada a terra a mesma
autoridade para agir em nome de Deus, que certa vez existiu na Igreja
primitiva.3
Em junho de 1829, o trabalho de tradução foi
completado. Cerca de três meses de trabalho cuidadoso haviam sido devotados a
tarefa, apesar de Joseph ter estado de posse das placas por mais de dois anos.
Durante todo esse tempo, ele havia tido a maior precaução para protege-las, a
fim de não as perder. Ninguém teve permissão para vê-las.
Durante a tradução, porém, Joseph descobriu que o
próprio registro continha a declaração: "...que ninguém o veja, exceto
três testemunhas, pelo poder de Deus, além do que receber o livro; e eles
darão testemunho do livro e das coisas que contém. E não haverá mais
ninguém que o veja, senão uns poucos, de acordo com a vontade de Deus, para
dar testemunho de suas palavras aos filhos dos homens, porque o Senhor Deus
disse que as palavras dos fiéis seriam como se fossem de mortos".(4)
Como já vimos, entre os que auxiliaram
materialmente no trabalho, contavam-se Martin Harris e Oliver Cowdery. Outro
jovem, David Whitmer, havia também auxiliado, apesar de tê-lo feito só por um
curto período. Quando esses três souberam que haveria testemunhas, pediram tal
privilégio.
Joseph consultou o Senhor, e posteriormente anunciou
aos três que, se fossem humildes, poderiam ter o privilégio e a
responsabilidade de testificar ao mundo do que haviam visto.
Num dia de verão do ano de 1829, Joseph Smith,
Oliver. Cowdery, Martin Harris e David Whitmer retiraram-se para o bosque nas
proximidades da casa de Whitmer, ao sul do estado de Nova York. Sob a brilhante
luz do dia, ajoelharam-se em oração, tendo Joseph orado primeiro, sucedido
pelos outros. Mas, depois que todos tinham orado, nenhuma resposta foi recebida.
Oraram novamente, também sem qualquer resultado. Após este segundo fracasso,
Martin Harris sugeriu afastar-se do grupo, porque sentia ser ele quem impedia
que a manifestação fosse recebida. Com o consentimento de Joseph, retirou-se.
Novamente os três se ajoelharam em oração,
quando, no mesmo instante, viram uma luz no ar, acima deles, e um anjo surgiu.
Trazia as placas consigo e deliberadamente virou folha por folha perante seus
olhos, para que os homens pudessem ver as gravações que havia nelas. Ouviram
então uma voz, dizendo: "Estas placas foram reveladas pelo poder de Deus,
e traduzidas pelo poder de Deus. A tradução que tendes visto está correta, e
vos ordeno que testemunheis do que agora vedes e ouvis".(5)
Joseph deixou, então, Oliver e David, e foi
procurar Martin Harris. Descobriu-o orando fervorosamente, e juntou-se a ele,
rogando sinceramente ao Senhor. Sua petição foi recompensada com uma
experiência semelhante a dos outros.
Esses homens escreveram a seguinte declaração,
assinaram-na, e ela apareceu na primeira edição do Livro de Mórmon, e em
todas as edições subseqüentes:
"Saibam todas as nações, famílias, línguas
e povos a quem esta obra chegar, que nós, pela graça de Deus, o Pai, e nosso
Senhor Jesus Cristo, vimos as placas que contêm estes anais, que são a
história do povo de Néfi e dos lamanitas, seus irmãos, e também do povo de
Jared, que veio da torre da qual se tem falado. Sabemos também que foram
traduzidas pelo dom e poder de Deus, porque assim nos foi dito pela sua voz;
sabemos, portanto, com certeza, que esta obra é verdadeira. Testemunhamos que
vimos as gravações sobre as placas e que nos foram mostradas pelo poder de
Deus e não do homem. Declaramos solenemente que um anjo de Deus baixou dos
céus, trouxe e mostrou-nos as placas, de maneira que vimos as gravações sobre
as mesmas, e sabemos que é pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus
Cristo, que vimos e testemunhamos que estas coisas são verdadeiras. Isto para
nos é maravilhoso. Contudo, a voz, do Senhor ordenou que testificássemos isso;
portanto, para obedecermos aos mandamentos de Deus, testemunhamos estas coisas.
E sabemos que, se formos fiéis em Cristo, nossas vestimentas se livrarão do
sangue dos homens, e nos apresentaremos sem mancha diante do tribunal de Cristo,
e habitaremos eternamente com ele no céu. E honra seja ao Pai, ao Filho e ao
Espírito Santo, que é um Deus. Amém. (Assinado: Oliver Cowdery, David Whitmer,
Martin Harris.)"
Além destas três testemunhas, houve mais oito
pessoas que viram as placas. Sua experiência, contudo, foi diferente. Aconteceu
somente um dia ou dois após os três homens terem visto o registro que lhes foi
mostrado pelo anjo.
Joseph Smith convidou oito homens para verem as
placas. Reuniram-se ao seu redor e ele Lhes mostrou o registro. Foi também sob
a clara luz do dia. Cada qual tocou o estranho volume, com perfeita liberdade
para folhear a parte que não estava selada, e examinar de perto as gravações.
Não houve manifestações de seres celestiais. Foi uma experiência simples e
comum, da qual todos participaram. Segue-se o seu testemunho sobre o assunto, a
mesma que aparece em todas as edições do Livro de Mórmon:
"Saibam todas as nações, famílias, línguas
e povos a quem esta obra chegar que: - Joseph Smith Jr., o tradutor deste
trabalho, mostrou-nos as placas já mencionadas, que têm a aparência de ouro;
que tantas páginas quantas o dito Smith traduziu, passaram por nossas mãos, e
que também vimos suas gravações, parecendo uma obra antiga e diferente. E
isto testemunhamos solenemente, que o mesmo Smith nos mostrou, vimos e apalpamos
e sabemos seguramente que ele é possuidor das placas de que falamos. E damos
nossos nomes ao mundo para testemunhar do que vimos. E assim afirmando, não
mentimos. Deus é testemunha disso. (Assinado: Christian Whitmer, Jacob Whitmer,
Peter Whitmer Filho, John Whitmer, Hiram Page, Joseph Smith Pai, Hyrum Smith,
Samuel H. Smith.)"
Há dezenas de escritos que tratam das declarações
destes dois grupos de testemunhas. Durante mais de um século, várias
explicações foram feitas, na tentativa de justificar o seu testemunho numa
base diferente da mencionada pelas testemunhas. Em ultima análise, todas as
circunstâncias - o fato de ambas as experiências terem-se realizado a luz
clara do dia; de ter havido duas espécies de experiências completamente
diversas; de todos os envolvidos serem homens maduros e de comprovada idoneidade
- juntamente com os fatos e declarações futuras destas pessoas, tudo leva a
conclusão de que as situações de cada caso foram exatamente as que eles
disseram ter sido. Não houve fraude, engano ou dolo. Em cada caso, foi uma
experiência sóbria, real, que nenhum dos participantes jamais esqueceu ou
negou.
Todas as três testemunhas afastaram-se da Igreja
fundada por meio de Joseph Smith. Duas delas tomaram atitudes de forte
oposição a ele. Mas nenhuma delas jamais negou seu testemunho a respeito do
Livro de Mórmon. Ao contrário, todas elas, em mais de uma ocasião, ate a
morte, reafirmaram seu testemunho.
Martin Harris e Oliver Cowdery voltaram a Igreja
após anos de desentendimentos, mas mesmo enquanto estavam fora da
organização, ousadamente declararam a validade do que fora publicado com seus
nomes no Livro de Mórmon. David Whitmer não voltou a Igreja, mas
freqüentemente tomou a mesma posição de seus companheiros e, pouco antes de
sua morte, publicou um folheto negando as afirmações feitas na Enciclopédia
Americana e na Enciclopédia Britânica, que diziam ter as testemunhas repudiado
seu testemunho.
Das oito testemunhas, três deixaram a Igreja, mas
nenhuma delas jamais negou seu testemunho, em tempo algum.
Tendo sido completada a tradução, sua publicação
foi possível graças ao auxílio de Martin Harris, que hipotecou sua fazenda
para garantir os custos da impressão. O trabalho foi feito por Egbert B.
Grandin, de Palmyra, Nova York, que imprimiu cinco mil exemplares por três mil
dólares. O volume continha mais de quinhentas páginas e foi chamado o Livro de
Mórmon, pelo fato de ter sido o antigo profeta e líder Mórmon o seu principal
editor. Saiu da imprensa na primavera de 1830.
Ao ser divulgado e lido, outra espécie de
testemunha de sua validade surgiu, talvez mais poderosa do que o testemunho
daqueles que haviam visto as placas. No próprio livro, encontram-se as
seguintes palavras: "E, quando receberdes (lerdes) estas coisas, eu vos
exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas
não são verdadeiras; e, se perguntardes com um coração sincero e com real
intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará sua verdade disso pelo
poder do Espírito Santo".6
A maioria dos antigos conversos ao mormonismo
filiou-se a Igreja pela leitura do Livro de Mórmon. Milhares deram a vida por
sua crença. Desde sua primeira publicação, o livro foi traduzido em muitos
idiomas, e tem afetado a vida de homens e mulheres em muitas terras. Os
sofrimentos por que passaram e as obras que realizaram são, talvez, o mais
forte de todos os testemunhos da veracidade das placas de ouro e de sua
tradução no Livro de Mórmon - o livro que se tornou, nesta geração, outra
testemunha de Cristo.