Pouco tempo depois de sua ordena��o, sob as m�os de Pedro, Tiago e Jo�o, foi esclarecido a Joseph Smith que a Igreja de Jesus Cristo deveria ser estabelecida na terra novamente. Esse acontecimento se verificou formalmente na primavera seguinte, em casa de Peter Whitmer, na cidade de Fayette, condado de S�neca, Nova York.

     Na ter�a-feira, 6 de abril de 1830, seis homens se reuniram na casa de Whitmer. Havia outros presentes, mas estes seis participaram das formalidades da organiza��o. Seus nomes eram: Joseph Smith Jr., Oliver Cowdery, Hyrum Smith, Peter Whitmer Jr., Samuel H. Smith e David Whitmer. Eram todos jovens, com mais ou menos vinte e quatro anos. Todos j� haviam sido batizados anteriormente.

     A reuni�o foi iniciada com uma "ora��o solene", ap�s a qual Joseph perguntou aos presentes se estavam dispostos a aceitar a ele e a Oliver Cowdery como seus l�deres espirituais. Todos concordaram. Joseph, ent�o, ordenou Oliver para o of�cio de �lder no sacerd�cio, e Oliver, por sua vez, ordenou Joseph. Administrou-se o sacramento da ceia do Senhor, e, a seguir, Joseph e Oliver impuseram as m�os sobre a cabe�a dos demais presentes, e confirmaram-nos membros da Igreja, e conferiram--Lhes o dom do Esp�rito Santo. Ap�s, alguns dos irm�os foram ordenados aos diferentes of�cios do sacerd�cio.

     Durante o transcorrer da reuni�o, Joseph recebeu uma revela��o, pela qual foi designado "...vidente... profeta, ap�stolo de Jesus Cristo..."(1) Desde aquela ocasi�o, tem sido chamado, na Igreja, "o profeta". A Igreja tamb�m foi instru�da nessa ocasi�o a manter um registro de todos os atos, o que desde a� tem sido feito cuidadosamente.

     Por revela��o, a nova organiza��o foi designada Igreja de Jesus Cristo, tendo sido acrescentada a frase "dos Santos dos �ltimos Dias". Isto � digno de nota. A Igreja n�o recebeu o nome de Joseph Smith nem o de qualquer outro homem. Nem foi denominada de acordo com qualquer peculiaridade de diretriz ou fun��o, como tem sido o caso de muitas sociedades religiosas. Era a Igreja de Jesus Cristo, restaurada a terra nos "�ltimos dias", e assim foi designada.

     Outro assunto de interesse � a forma pela qual foram escolhidos os oficiais da Igreja. Joseph Smith fora divinamente indicado para dirigir a obra, mas sua posi��o como l�der estava sujeita ao consentimento dos membros. Desde aquela primeira reuni�o, em 1830, os membros t�m-se reunido periodicamente para apoiar ou votar naqueles que foram escolhidos para dirigir os assuntos da Igreja. Nenhum homem preside sem o consentimento dos membros.

     Foi convocada uma reuni�o para o domingo seguinte, e nessa ocasi�o, Oliver Cowdery proferiu o primeiro discurso p�blico no minist�rio da Igreja rec�m-fundada. Outros seis foram batizados ao findar-se a reuni�o, e uma semana mais tarde, sete outros foram inclu�dos nos registros. Quando a primeira confer�ncia geral foi realizada em junho seguinte, havia um total de 27 almas, e ao t�rmino da confer�ncia, mais 11 foram batizados no lago S�neca.

     Naquele mesmo m�s, iniciou-se a atividade mission�ria. Samuel H. Smith, irm�o do profeta, e que contava 22 anos de idade, partiu, munido de v�rios exemplares do Livro de M�rmon, em viagem pelas cidades vizinhas, para divulgar a escritura rec�m-publicada. Ap�s andar quarenta quil�metros no primeiro dia, dirigiu-se ao propriet�rio de uma estalagem, solicitando pousada para a noite. Quando o estalajadeiro soube da miss�o de Samuel, mandou que se retirasse. Naquela noite, o jovem �lder dormiu ao relento.

     No dia seguinte, visitou a casa de um ministro metodista, o reverendo John P. Greene, que se estava preparando para visitar o seu distrito. O ministro n�o estava interessado em ler o livro, mas disse que ficaria com um volume e que anotaria o nome dos que desejassem comprar um exemplar. Samuel voltou para casa, sentindo que seus esfor�os haviam sido infrut�feros; era pouco prov�vel que o ministro metodista encorajasse seu rebanho a comprar o Livro de M�rmon.

     Algo de muito estranho, por�m, aconteceu. A sra. Greene pegou o volume e interessou-se grandemente por ele. Fez com. que seu marido o lesse, e ambos se filiaram a Igreja, mais tarde. Esse mesmo exemplar caiu nas m�os de Brigham Young, de Mendon, Nova York. Este foi seu primeiro contato com a Igreja. Cerca de dois anos mais tarde, ap�s estudar e pesquisar cuidadosamente, foi batizado.

     O livro, distribu�do por Samuel Smith e outros que o seguiram, produziu efeito semelhante sobre muitos que, futuramente, se tornaram l�deres da Igreja. Parley P. Pratt, ministro campbelita, leu por acaso um volume emprestado, e logo abandonou seu minist�rio para juntar-se as fileiras da Igreja rec�m-organizada. Levou o livro a seu irm�o Orson, que mais tarde se tornou renomado cientista e matem�tico, e que se dedicou com toda energia a nova causa. Willard Richards, medico de Massachusetts, ap�s ler uma p�gina do volume, observou: "Deus ou o diabo s�o autores desse livro, porque o homem jamais o escreveu".(2) Leu-o duas vezes em dez dias e ent�o juntou-se a causa.

     E assim aumentou a influ�ncia do livro. Por causa dele, os membros da Igreja receberam um apelido - que, de fato, n�o � apenas um apelido - pelo qual t�m sido popularmente conhecidos - M�rmons. Contudo, ao pregarem, com �nfase, esta escritura do hemisf�rio ocidental, jamais relegaram a B�blia a um segundo plano, a qual da mesma forma aceitavam e fortemente defendiam como sendo a palavra de Deus.

     O trabalho era freq�entemente criticado com maldade naqueles dias de fanatismo religioso. Logo depois que a Igreja foi organizada, Joseph Smith foi preso, enquanto dirigia uma reuni�o em Colesville, Nova York. Foi acusado de ser "desordeiro, agitando o pa�s com a prega��o do Livro de M�rmon". O testemunho apresentado foi t�o rid�culo quanto a acusa��o. Entretanto, assim que foi absolvido pelo juiz, prenderam-no novamente com uma acusa��o da mesma natureza, e levaram-no para outra cidade, a fim de ser julgado, sendo novamente absolvido. Assim come�ou a persegui��o que o levaria a morte.

     Em setembro de 1830, foi realizada uma segunda confer�ncia geral da Igreja. Entre os assuntos discutidos, achava-se o chamado de Oliver Cowdery para iniciar uma miss�o "nos territ�rios incultos, atrav�s dos Estados do Oeste e entre os ind�genas". Peter Whitmer, Parley P. Pratt e Ziba Peterson foram mais tarde chamados para acompanh�-lo. Esta miss�o determinou grandemente a futura hist�ria da Igreja.

     Em outubro, os quatro homens deixaram suas fam�lias e partiram a p�. Perto da cidade de B�falo, encontraram-se com membros da tribo Catteraugus, a quem falaram sobre o Livro de M�rmon, explicando que continha a hist�ria de seus antepassados. Muitos pareceram ficar grandemente interessados, e os mission�rios deixaram exemplares do livro aos que sabiam ler.

     O �lder Pratt, antes de sua convers�o, havia sido pregador leigo da Igreja dos Disc�pulos, fundada por Alexandre Campbell. Achava-se agora ansioso por discutir o mormonismo com seus antigos colegas e por esse motive, os mission�rios viajaram para o norte de Ohio, onde vivia um grande grupo de seguidores de Campbell. O Elder Pratt procurou especialmente Sidney Rigdon, um dos principais ministros da f�.

     O sr. Rigdon recebeu cordialmente os mission�rios, mas estava meio c�tico quanto a hist�ria que lhe havia sido narrada. N�o obstante, permitiu-lhes pregar a sua congrega��o e concordou em ler o Livro de M�rmon. Pouco depois foi batizado, tendo-se tornado batalhador incans�vel da causa do mormonismo. O Elder Pratt descreveu a situa��o com a afirmativa de que "a f� era forte, a alegria grande e a persegui��o pesada".(3)

     Tr�s semanas depois, 127 almas tinham sido batizadas. Antes de os mission�rios partirem em dezembro, mil membros haviam ingressado na Igreja.

     Um dos conversos, o dr. Frederick G. Williams, acompanhou os mission�rios ate o oeste de Ohio. Passaram varies dias entre os �ndios Wyandot, que viviam na parte oeste do estado, e depois continuaram a viagem ate St. Louis, andando a p� a maior parte do caminho.

     A respeito da viagem de volta a St. Louis, rumo oeste, o Elder Pratt escreve: "Viajamos a p� 500 quil�metros atrav�s de vastas plan�cies e de lugares desertos, inexplorados e cobertos de neve - n�o havia estradas, as casas eram raras e dispersas, e o triste vento noroeste soprava continuamente, t�o cortante que quase nos tirava a pele da face. Viaj�vamos dias inteiros, de manh� ate a noite, sem uma casa e sem fogo, atolando na neve ate os joelhos a cada passo, num frio t�o intenso, que a neve n�o derreteu no lado sul das casas, mesmo sob o sol do meio-dia, por quase seis semanas. Carreg�vamos as costas as nossas roupas, varies livros, p�o de milho e carne crua de porco. Muitas vezes comemos do nosso p�o gelado e carne de porco no caminho, mas o p�o se achava t�o gelado, que n�o pod�amos mord�-lo e nem atingir qualquer parte dele al�m da crosta externa".(4)

     Chegando a Independence, condado de Jackson, estado de Missouri, os �lderes prepararam-se para visitar os �ndios da zona fronteiri�a vizinha. Encontraram-se com o chefe dos Delawares, que os recebeu com bondade e ouviu com grande interesse a hist�ria do Livro de M�rmon. Contudo, suas oportunidades de pregar foram logo limitadas. Os agentes do governo, por ordem de religiosos intolerantes, mandaram que os mission�rios sa�ssem das terras dos �ndios. Quatro deles permaneceram no Missouri por algum tempo, enquanto o Elder Pratt retornava a Nova York, para fazer um relat�rio de seus trabalhos.

     Quando chegou a Kirtland, Ohio, o �lder Pratt surpreendeu-se por encontrar ali Joseph Smith, e por saber que os membros de Nova York, estavam planejando mudar-se para Ohio na primavera. A persegui��o tinha aumentado em Nova York, e o sucesso dos mission�rios em suas viagens havia indicado o caminho do futuro destine da Igreja no oeste.

     A segunda confer�ncia anual foi convocada para junho de 1831, em Kirtland, Ohio. Nessa ocasi�o, a maioria dos membros de Nova York, se havia mudado para o oeste, e a congrega��o presente a confer�ncia j� era de duas mil pessoas. A Igreja havia crescido substancialmente desde que os primeiros membros a organizaram, a 6 de abril de 1830.

     Nessa confer�ncia, v�rios homens foram ordenados para o of�cio de sumo sacerdote, pela primeira vez na Igreja. Foram tamb�m chamados vinte e oito �lderes para viajar pelo oeste do Missouri, indo de dois em dois e pregando pelo caminho. O profeta salientou que Lhe havia sido revelado que os santos l� estabeleceriam Si�o.

     Estes mission�rios, inclusive Joseph Smith, viajaram "sem bolsa nem alforje", pregando com poder pelo caminho, aumentando continuamente o n�mero de membros da Igreja. Chegaram ao condado de Jackson, Missouri, em meados de julho, e foram acompanhados por todo o grupo de santos de Colesville, Nova York, que havia acampado temporariamente em Ohio, e estavam-se mudando para o oeste. Em um lugar chamado Kaw, numa parte da atual cidade de Kansas, come�aram a acampar sob a dire��o do Profeta e de Sidney Rigdon.

     O primeiro tronco para a primeira casa foi deitado por doze homens, representando as doze tribos de Israel. A terra foi dedicada para a reuni�o dos santos, e os presentes fizeram o conv�nio de "receber a terra com cora��es gratos" e juraram "guardar as leis de Deus" e "cuidar de que seus outros irm�os tamb�m guardassem as leis de Deus".(5)

     Assim se estabeleceram os primeiros M�rmons no Missouri. Mais tarde, no ver�o, Joseph Smith, Sidney Rigdon e outros l�deres voltaram a Kirtland, Ohio. Durante os sete anos seguintes, as atividades da Igreja foram divididas entre as duas localidades, separadas por 1600 quil�metros, em Kirtland, Ohio, e nas redondezas, perto do local onde hoje se ergue Cleveland, e no condado de Jackson, Missouri, perto da atual cidade de Kansas.

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