O Povo de Quincy,Illinois, recebeu os refugiados M�rmons com amabilidade. Contudo, pareceu conveniente a Brigham Young e a outros tomar provid�ncias para que esses exilados se fixassem e come�assem a produzir novamente.

     No dia 22 de abril de 1839, Joseph Smith e aqueles que haviam sido aprisionados com ele em Liberty, Missouri, chegaram a Quincy. Seus guardas haviam permitido que sa�ssem, e eles se dirigiram para o lado de Illinois, no rio Mississipi. No dia seguinte, o Profeta convocou uma confer�ncia e organizou-se um comit�, que foi encarregado da compra de terras. No primeiro dia de maio, foi realizada a primeira compra, seguida de muitas, de modo que obtiveram extensas propriedades, tanto do lado de Illinois como de Iowa.

     A principal localidade era Commerce, Illinois, situada cerca de 72 quil�metros ao norte de Quincy. Neste ponto, o rio faz uma larga curva, dando a sua margem leste o aspecto de um promont�rio. Por ocasi�o da compra, a vila era constitu�da somente de uma casa de pedra, tr�s de madeira e dois fortins.

     Era um lugar insalubre, t�o �mido, que era dif�cil atravess�-lo. Os cavalos e bois de carga atolavam ate as ancas. A respeito do local e de sua compra, o Profeta disse mais tarde: "Commerce era insalubre e poucos poderiam viver ali; por�m, crendo que poderia tornar-se um lugar saud�vel com a b�n��o dos c�us aos santos, e n�o se apresentando local melhor, considerei de bom alvitre tentar construir ali uma cidade".(1)

     A f� que o Profeta demonstrou ter nessa localidade � evidenciada pelo nome que Lhe deu: Nauvoo, de origem hebraica, e que significa "o belo local".

     Drenaram-se os p�ntanos e construiu-se a cidade com ruas que se cruzavam em �ngulos retos. Mas a edifica��o se processava vagarosamente. O povo estava prostrado e exausto, em virtude das priva��es por que havia passado. Suas energias estavam gastas e tornou-se v�tima f�cil da malaria.

     Na manh� de 22 de julho, Joseph, que tamb�m estava doente, olhou ao seu redor e tudo o que viu foram outras pessoas doentes. A casa em que vivia estava repleta, e v�rias tendas dispostas em seu quintal abrigavam outros enfermos. Wilford Woodruff relata os acontecimentos posteriores, ap�s as considera��es do Profeta sobre esta desoladora situa��o:

     "Ele (Joseph) clamou a Deus em ora��o, e o poder do Senhor pousou sobre ele poderosamente e, da mesma forma como Jesus curou todos os enfermos ao seu redor em seus dias, Joseph, o Profeta de Deus, curou todos os que o cercavam naquela ocasi�o. Curou todos os que estavam em sua casa e a sua porta, e ent�o, em companhia de Sidney Rigdon e de v�rios dos doze, dirigiu-se aos doentes que jaziam as margens do rio, onde Lhes ordenou em alta voz, em nome de Jesus Cristo, que se levantassem e fossem curados, e todos o foram. Quando havia curado a todos que se achavam no lado leste do rio e que estavam doentes, ele e seus companheiros atravessaram o rio Mississipi numa balsa para o lado oeste... a primeira casa em que entraram foi a do Presidente Brigham Young. Este se achava doente no leito na ocasi�o. O Profeta entrou na casa e o curou, e todos sa�ram juntos.

     Ao passarem pela minha porta, o Irm�o Joseph disse: "Irm�o Woodruff, siga-me". Estas foram as �nicas palavras proferidas por todo o grupo desde o momento em que saiu da casa do Irm�o Brigham, at� que atravessou a pra�a p�blica e adentrou a casa do Irm�o Fordham. Este se encontrava as portas da morte, desde uma hora atr�s, e esperava-se que cada minuto seu fosse o ultimo. Senti que o Esp�rito de Deus fortalecia o seu Profeta. Quando entramos na casa, o Irm�o Joseph dirigiu-se ao Irm�o Fordham, tomou-o pela m�o direita, enquanto com a esquerda segurava seu chap�u. Viu que os olhos do Irm�o Fordham estavam vidrados e que se achava inconsciente sem fala.

     Ap�s tomar-lhe a m�o, olhou para o rosto do moribundo e disse: "... Voc� cr� que Jesus � o Cristo?" " Creio, Irm�o Joseph", foi a resposta. Ent�o o Profeta de Deus falou em alta voz, como na majestade de Jeov�: "Elias, eu te ordeno, em nome de Jesus de Nazar�, que te levantes e sejas curado".

     As palavras do Profeta n�o foram como as de um homem, mas como a voz de Deus. Parecia-me que a casa estava estremecendo em seus alicerces. Elias Fordham saltou da cama, como se tivesse sido ressuscitado. Uma cor sadia veio-lhe a face e a vida se manifestava em todos os seus atos. Seus p�s estavam envolvidos em cataplasmas ind�genas, de farinha. Lan�ou-os longe, esparramando o conte�do, e ent�o pediu que Lhe trouxessem suas roupas e as vestiu. Pediu um prato de p�o e leite e comeu. P�s, ent�o, o chap�u e nos acompanhou a rua, para visitar outros que estavam doentes".(2)

     Elias Fordham viveu mais quarenta e um anos depois dessa experi�ncia.

     Mesmo tendo diante de si a tarefa de construir uma cidade, os M�rmons n�o deixaram de pregar o evangelho. Durante o ver�o de 1839, sete membros do Conselho dos Doze Ap�stolos partiram de Nauvoo para a Inglaterra.

     Esses homens foram mission�rios poderosos. As prova��es pelas quais tiveram de passar haviam fortalecido sua convic��o sobre a causa que haviam abra�ado e conquistaram centenas de converses, com seu poderoso testemunho.

     Os esfor�os de Wilford Woodruff foram particularmente bem sucedidos. Enquanto pregava em Hanley, no distrito de Potteries, na Inglaterra, teve a intui��o de deixar o local, sem saber o motivo. Obedecendo a esse impulso, dirigiu-se a uma �rea rural de Herefordshire. Foi acolhido cordialmente em casa de John Benbow, pr�spero agricultor do distrito. Foi-lhe dito que um grande grupo religioso daquela �rea se havia afastado de sua igreja e reunia-se para estudar as escrituras e procurar a verdade.

     O �lder Woodruff foi convidado a falar, recebendo novos convites posteriormente. A organiza��o era composta de seiscentas pessoas, inclusive mais de vinte pregadores. Todos estes, com uma �nica exce��o, abra�aram o mormonismo. Antes de partir do distrito, mil e oitocentos membros haviam sido convertidos a Igreja, atrav�s de seus esfor�os.

     Numa confer�ncia realizada nas Unas Brit�nicas, em abril de 1840, ficou decidido publicar uma edi��o do Livro de M�rmon, um hin�rio e um peri�dico.

     Miss�o um tanto incomum levada a cabo durante esse per�odo foi a de Orson Hyde, sobre quem o Profeta havia, anteriormente, pronunciado esta b�n��o: "No devido tempo, ir�s a Jerusal�m, a terra de teus pais, e ser�s por atalaia sobre a casa de Israel; e pela tua m�o realizar� o Alt�ssimo uma obra, que preparar� o caminho, e grandemente facilitar� a coliga��o daquele povo".(3)

     Em Janeiro de 1841, Orson Hyde partiu dos Estados Unidos e dirigiu-se a Londres, onde trabalhou com outros mission�rios durante alguns meses. Dirigiu-se, ent�o, a Palestina. Na manh� de domingo, 24 de outubro de 1841, dirigiu-se ao alto do Monte das Oliveiras e l�, com a autoridade do sacerd�cio, dedicou a terra da Palestina para a volta dos judeus. Sua ora��o diz, em parte:

     "Permite, portanto, � Pai, em nome do teu bem-amado Filho, Jesus Cristo, que seja removida a esterilidade desta terra, e que fontes de �gua viva jorrem para molhar seu solo sedento. Que as videiras e oliveiras produzam com toda sua for�a e que a figueira flores�a e produza... Faze com que os rebanhos aumentem muito e se multipliquem sobre as montanhas e colinas e que a tua grande bondade conquiste e subjugue a descren�a do teu povo. Tira deles seu cora��o de pedra, e d�-lhes um cora��o de carne; e permite que o sol da tua prote��o desfa�a a negra n�voa que obscurece sua atmosfera... Permite que reis se tornem seus pais afetuosos e que rainhas com afeto maternal enxuguem a l�grima de dor de seus olhos..."(4)

     Ap�s a ora��o, ele erigiu um pilar de pedras como altar e testemunho de seu ato. Tendo completado sua miss�o, voltou a Nauvoo, l� chegando em dezembro de 1842.

     Enquanto isso, v�rios acontecimentos se verificaram a oeste da col�nia de Illinois. Casas, lojas e jardins nasciam onde havia outrora os p�ntanos de Commerce. Mas, em virtude da extrema pobreza em que se encontrava esse povo, seus problemas foram seriamente agravados. V�rias tentativas infrut�feras foram feitas de obter compensa��o e indeniza��o pelas perdas que haviam sofrido no Missouri. A mais not�vel destas foi a peti��o feita ao Congresso dos Estados Unidos, em uma entrevista de Joseph Smith com o Presidente dos Estados Unidos, Martin Van Buren.

     A peti��o de nada valeu, e o senhor Van Buren respondeu com a frase que ficou famosa na hist�ria M�rmon: "Sua causa � justa, mas nada posso fazer por voc�s... Se os apoiar, perderei o eleitorado do Missouri".(5)

     O governador do Missouri reagiu contra essas peti��es, exigindo que o governador de Illinois prendesse e Lhe entregasse Joseph Smith e cinco de seus companheiros, como fugitivos da justi�a, apesar de dois anos terem-se passado desde que Lhe havia sido permitido fugir da pris�o em Missouri. O governador de Illinois atendeu a ordem, mas com um h�beas corpus que foi impe-trado, o Juiz Stephen A. Douglas libertou os acusados. Contudo, esse fato somente retardou os missourianos na realiza��o de seus prop�sitos confessos.

     Durante o mesmo per�odo, foi decidido que se constru�sse um templo em Nauvoo. Esse edif�cio sagrado deveria ser reservado para realiza��o de ordenan�as especiais, inclusive o batismo vic�rio.

     A doutrina pela qual aquele que tem oportunidade de ser batizado � salvo, enquanto os que n�o t�m tal oportunidade s�o condenados, sempre foi considerada injusta por muitas pessoas. N�o obstante, as escrituras dizem: "... aquele que n�o nascer da �gua e do Esp�rito, n�o pode entrar no reino de Deus".(6) Esta lei abrange a todos.

     Joseph Smith resolveu esta quest�o com a doutrina do batismo vic�rio pelos mortos, anunciando-a como revela��o d.e Deus. Quando efetuado por autoridade verdadeira, o batismo pode ser recebido por um representante vivo que age em favor do morto. Tal pr�tica existia na Igreja primitiva, o que � confirmado pelas palavras de Paulo aos Cor�ntios: "Doutra maneira, que far�o os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos n�o ressuscitam? Por que se batizam eles ent�o pelos mortos?"(7)

     Com a finalidade de conseguir instala��es para a obra vic�ria, bem como para outras ordenan�as sagradas, o Profeta recebeu ordem, por revela��o, de levantar um templo. No dia 6 de abril de 1841, dez mil membros da Igreja reuniram-se para lan�ar a pedra fundamental da constru��o. A oito de novembro, a fonte batismal foi terminada, e a 30 de outubro de 1842, a constru��o havia progredido o suficiente para permitir que se fizessem reuni�es em algumas salas. Contudo, somente a 30 de abril de 1846, quando a maioria dos santos havia deixado Nauvoo, � que foi completado em todos os detalhes. O edif�cio custou um milh�o de d�lares, e naquele tempo era considerado como a melhor constru��o do estado de Illinois.

     O magn�fico edif�cio erguia-se na parte mais elevada da cidade e dele se avistava todo o campo em ambos os lados do rio. Tornou-se a coroa de Nauvoo, contrastando esta cidade com a maioria das outras da fronteira. Antes que os M�rmons se retirassem, era a maior cidade existente em Illinois.

     Muitos visitantes famosos estiveram em Nauvoo durante es-se per�odo de intensa atividade. Em 1843, num artigo que foi amplamente divulgado, um escritor ingl�s descreveu a comunidade M�rmon nos seguintes termos:

     "A cidade tem grande dimens�es, planejada numa ordem admir�vel; as ruas s�o largas e se cruzam em �ngulos retos, o que contribuir� grandemente para sua ordem e magnific�ncia, quando terminadas. Ergue-se numa leve inclina��o do Mississipi e, das imedia��es do templo, pode-se contemplar a bela paisagem ao redor. Ao seu lado, encontra-se o templo, uma das maravilhas do mundo. Pelos seus arredores e abaixo, v�em-se bonitas lojas, vastas mans�es e lindos bangal�s entremeados no cen�rio variado... Paz e harmonia reinam na cidade. Raramente se v� um b�bado, ao contr�rio de outras cidades, nem as horr�veis impreca��es ou maldi��es profanas nos ferem os ouvidos; mas, enquanto fora tudo � tempestade e confus�o a respeito dos M�rmons, dentro tudo � paz e harmonia".(8)

     O coronel Thomas L. Kane visitou Nauvoo tr�s anos mais tarde. Sua descri��o � muito interessante:

     "Subindo o alto Mississipi no outono, quando as �guas estavam baixas, fui obrigado a atravessar por terra a regi�o das corredeiras... Meus olhos se horrorizaram ao ver por todos os lados os colonizadores s�rdidos, vagabundos e pregui�osos, a terra danificada, sem progredir, entregue a m�os descuidadas: Ao descer a ultima encosta de minha viagem, uma paisagem de agrad�vel contraste surgiu a minha frente. Semicircundada por uma curva do rio, uma bela cidade se mostrava a luz do brando sol matinal; suas habita��es claras e novas erguiam-se entre jardins verdes e frescos, dispostos ao redor de uma colina arredondada, encimada por um edif�cio nobre, de m�rmore, cuja torre brilhava com matizes de branco e dourado. A cidade parecia cobrir v�rios quil�metros. Al�m dela, ao fundo, viam-se belos campos, marcados pelo alinhamento cuidadoso das planta��es bem sucedidas. Os sinais inequ�vocos de industriosidade, iniciativa e prosperidade em toda parte, tornavam a cena singular e da mais rara beleza".(9)

     Os visitantes que vinham a Nauvoo ficavam impressionados com o homem sob cuja dire��o esta not�vel cidade se havia elevado dentre o p�ntano infestado de doen�as. O Profeta, naquela ocasi�o, achava-se no auge de sua carreira. Muitos dos que ent�o o conheceram, descreveram-no. Era bem formado, medindo cerca de um metro e oitenta de altura, pesando aproximadamente noventa quilos. Seus olhos eram azuis, o cabelo castanho e ondulado, a pele clara e quase imberbe, Um homem de grande energia e porte digno.

     Ap�s visit�-lo, o gr�o-mestre ma��nico do Estado de Illinois escreveu:

     "Sobre o assunto de religi�o, difer�amos grandemente. Mas ele parecia ter boa vontade em permitir que eu gozasse do meu direito de opini�o, como acredito que todos n�s dever�amos ter, deixando os M�rmons gozarem do seu. Imaginem a minha surpresa ao encontrar, ao inv�s do impostor, tirano e ignorante, um companheiro inteligente e perspicaz, um verdadeiro cavalheiro".(10)

     Um dos homens mais not�veis que visitou Joseph Smith durante esse per�odo foi Josiah Quincy, que havia sido prefeito de Boston. Sobre suas impress�es a respeito do Profeta, escreveu mais tarde:

     "N�o � improv�vel que um livro did�tico do futuro contenha uma pergunta mais ou menos assim: qual o americano do s�culo dezenove que exerceu a mais poderosa influ�ncia sobre o destine de seus concidad�os? E n�o � imposs�vel que a resposta a esta pergunta seja escrita assim: Joseph Smith, o Profeta M�rmon...

     Nascido na mais extrema mis�ria, sem ter aprendido em livros e com o mais comum dos nomes, tornou-se, a idade de trinta e nove anos, um poder sobre a terra. Da imensa fam�lia Smith, de Adam em diante (refiro-me a Adam, autor de "Riqueza das Na��es"), nenhum outro conquistou tantos cora��es e moldou tantas vidas como este Joseph".(11)

     Tal foi a rea��o dos estranhos que vieram a Nauvoo e visitaram seu cidad�o mais importante.

     Em 1839, os M�rmons haviam comprado uma terra t�o pantanosa, que at� mesmo um cavalo encontrava dificuldade de atravessar. Em 1844, haviam constru�do no mesmo solo uma cidade sem igual em toda fronteira americana. Casas resistentes de tijolos, algumas das quais ainda est�o sendo habitadas, grandes planta��es, lojas, escola e um templo magn�fico, com vinte mil habitantes, reunidos n�o s� dos estados do leste (dos Estados Unidos) e do Canad�, como tamb�m das Unas Brit�nicas, tal era Nauvoo - a Bela!

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